segunda-feira, 9 de julho de 2018
Exposição "1932: A Revolução Paulista" é realizada em Pedreira
Em homenagem aos 86 anos da Revolução Constitucionalista de 1932, o Museu de Pedreira realiza de 28 de junho a 31 de julho, sob a curadoria de Adílson Spagiari, a Exposição "1932: A Revolução Paulista".
Os visitantes terão a oportunidade de conferir diversas fotografias sobre o movimento que tinha a proposta de derrubar o governo provisório imposto por Getúlio Vargas a partir do golpe de 1930 e a promulgação de uma nova Constituição para o Brasil, além de fotos e documentos, em especial dos combatentes pedreirenses Edu Rossi e Arnaldo Rossi, cedidos especialmente pela família para a exposição.
O confronto começou em 9 de julho, motivo pelo qual nessa data é feriado no Estado de São Paulo e foi até 4 de outubro e atingiu todo o Estado de São Paulo, e Pedreira devido a sua localização na Serra da Mantiqueira foi um dos últimos locais onde os soldados se estabeleceram e montaram suas trincheiras, pois no Morro do Cristo, ainda existem algumas valas que na época da revolução serviram de trincheiras e foram construídas pelos soldados, entre eles, Arnaldo Rossi, Edu Rossi e Guilherme Filipini Junior que provavelmente estiveram sob o comando do Monsenhor Luiz Fernandes de Abreu que foi o oficial de ligação do Batalhão 23 de Maio, visto que no morro há um monumento em homenagem aos combatentes de Pedreira.
"Naquela madrugada do dia 19 de setembro seguiu de Amparo para Pedreira o 14° Comando Gaúcho, com destaque para um esquadrão que foi para o bairro de Entre Montes. Quando foi uma hora da tarde do dia seguinte, dois oficiais constitucionalistas se apresentaram ao PC do batalhão cearense no bairro de Ingatuba com o pedido de suspensão das hostilidades proposta pelo General Klinger, comandante chefe da Revolução, ao governo ditatorial. A mensagem foi assinada pelo Capitão Romão Gomes. O Cel. Eurico Gaspar Dutra, futuro Presidente da República deu como resposta que prosseguiria nas hostilidades atendendo a ordem do general Jorge Pinheiro. No dia seguinte Goes Monteiro transmitiu ao Capitão Lott a ordem de reabrir as hostilidades e o batalhão paraibano alcançou Entre Montes.
Pedreira foi bombardeada pelos "vermelhinhos" ditatoriais, que colocou em pânico a população que deixou a cidade em 14 de setembro. Bombas atingiram casas, dentre essas, uma caiu na sala da casa da família Pires de Ávila, momentos depois dos moradores saírem, tendo a bomba estraçalhado todos os móveis da sala".
Como relatado no trecho acima, por meio de pesquisa realizada pelo Curador da exposição, Pedreira participou com seus soldados e voluntários da resistência paulista à ditadura Vargas.
"Foi um momento de respeito à liberdade, aos direitos e a uma nova Constituição que seria promulgada em 16 de julho de 1934, tendo a sigla MMDC (Martins, Miragaia, Drausio e Camargo), entrado para o cenário da história paulista, visto que em três meses de batalha forma mortos cerca de 830 homens, sendo 630 paulistas", finaliza Spagiari.
A exposição poderá ser conferida de Segunda a Domingo, das 9h às 12h e das 13h às 17h, na Praça Cel. João Pedro, 102.
domingo, 9 de julho de 2017
Revolução de 1932: 85 anos
Parabéns aos soldados e voluntários que há 85 anos lutaram na Revolução Constitucionalista de 1932.(1932 - 9 de julho - 2017)
terça-feira, 4 de julho de 2017
Exposição "Revolução de 1932:85 anos"
Em homenagem aos 85 anos da Revolução Constitucionalista de 1932, que será comemorado em 9 de julho, o Museu Histórico e da Porcelana de Pedreira, realiza no período de 3 a 17 de julho, sob a gestão de Adílson Spagiari, a Exposição “Revolução de 1932: 85 anos”.
Na exposição os visitantes terão a oportunidade de conferir diversas fotografias sobre o movimento que tinha a proposta de derrubar o governo provisório imposto por Getúlio Vargas a partir do golpe e 1930 e a promulgação de uma nova Constituição para o Brasil, além de fotos e documentos, em especial dos combatentes pedreirenses Edu Rossi e Arnaldo Rossi, cedidos especialmente pela família para a exposição.
O confronto começou em 9 de julho, e foi até 4 de outubro, atingindo todo o Estado de São Paulo. Pedreira devido a sua localização na Serra da Mantiqueira foi um dos últimos locais onde os soldados se estabeleceram e montaram suas trincheiras, no Complexo Turístico do Morro do Cristo, ainda existem algumas valas que na época da Revolução serviram de trincheiras e foram construídas pelos soldados, entre eles, Arnaldo Rossi, Edu Rossi e Guilherme Filipini Júnior.
Os soldados, entre eles os pedreirenses Arnaldo Rossi, Edu Rossi e Guilherme Filipini, lutaram junto ao Batalhão 23 de Maio. Nesse morro, além das valas há também um monumento em homenagem aos combatentes pedreirenses.
Os combatentes de Pedreira provavelmente estiveram sob o comando do Monsenhor Luiz Fernandes de Abreu, que foi oficial de ligação do Batalhão 23 de Maio. Ele lutou de parabellum em punho e foi aprisionado em Amparo, em 18 de setembro, ficando preso por cinco meses na Ilha das Flores, Rio de Janeiro. O Diário Oficial de 19 de setembro de 1932, registrou que o tenente Carlos Berenhauser, chefe do serviço de Publicidade da 4ª Divisão de Infantaria, recebeu do Serviço de Publicidade da Imprensa Nacional, o telegrama que se segue, transcrito do Diário Oficial da União, de 19/09/1932 p.39, seção 1:
“Itapira, 16 – Urgente – O Estado Maior da 4ª Divisão de Infantaria informa: na frente geral de Campinas o destacamento do coronel Dutra consolidou a conquista da localidade de Pedreira, a doze quilômetros a oeste de Amparo. Nos eixos da via férrea e da rodovia Mogi-Mirim/Campinas, o adversário que, na véspera, se retirara apressadamente para o sul do rio Camanducaia, não mais voltou, mantendo-se também inativo nos demais pontos da frente. Nos outros setores da 4ª Divisão nada houve de notável nas últimas vinte e quatro horas. Um avião inimigo bombardeou, hontem, Pedreira e Amparo, com fracos resultados. Nossos aviões de caça mandados em seu encalço não mais conseguiram encontrá-lo”. Nota-se neste telegrama a confirmação da participação efetiva da cidade de Pedreira na Revolução Constitucionalista e o fato de que anos mais tarde, de 1946 a 1951, o Coronel Dutra (Eurico Gaspar Dutra) viria a ser Presidente da República do Brasil.
A exposição poderá ser conferida de segunda a domingo, das 9h às 12h e das 13h às 17h na Praça Cel. João Pedro, nº 102.
sábado, 9 de julho de 2016
Por São Paulo, pelo Brasil!
Por um Brasil melhor, São Paulo se revoltou contra a Pátria.
A vitória veio com a promulgação de uma nova Constituição em 16 de julho de 1934.
A vitória veio com a promulgação de uma nova Constituição em 16 de julho de 1934.
Salve 9 de julho!!!
Revolução Constitucionalista de 1932
84 anos
Exposição sobre 9 de julho é destaque no SRTV Notícias
O SRTV Notícias, programa jornalístico da emissora de televisão sediada em Pedreira (SRTV), apresentado pelo jornalista Sidenei Defendi, exibiu nos dias 6 e 7 de julho, com reportagem da jornalista Juliana Lazarini e imagens do cinegrafista José Ricardo Lazarini a Exposição "Revolução de 1932: um grito de revolta contra a Pátria" em cartaz no Museu Histórico e da Porcelana de Pedreira até domingo, 10 de julho e que homenageia os 84 anos da Revolução Constitucionalista comemorado em 9 de julho, feriado estadual.
Com texto documental que destaca a participação efetiva de Pedreira durante o movimento em 1932, a reportagem comandada por Juliana exaltou a participação dos soldados pedreirenses Edu Rossi, Arnaldo Rossi e Guilherme Filipini Junior nas trincheiras localizadas no Morro do Cristo em Pedreira que na época foi o local onde os soldados implantaram suas trincheiras.
Durante a entrevista, o Gestor, Curador e Supervisor Técnico do Museu, Adílson Spagiari destacou sobre as fotografias em cartaz, além dos objetos, tais como as bandeiras do Brasil e do Estado de São Paulo que pertencem ao acervo museológico e são as que ficaram hasteadas durante o movimento na Prefeitura Municipal de Pedreira.
A exposição pode ser conferida até domingo, dia 10 de julho, na Praça Cel. João Pedro, 102 no Museu Histórico e da Porcelana de Pedreira.
sábado, 2 de julho de 2016
Exposição "Revolução de 1932: um grito de revolta contra a Pátria"
Em homenagem aos 84 anos da Revolução Constitucionalista de 1932, o Museu Histórico e da Porcelana realiza de 1 a 10 de julho de 2016, com a curadoria de Adílson Spagiari, Gestor, Curador e Supervisor Técnico, a Exposição "Revolução de 1932: um grito de revolta contra a Pátria".
Na exposição, os visitantes terão a oportunidade de conferir diversas fotografias sobre o movimento que tinha a proposta de derrubar o governo provisório imposto por Getúlio Vargas, a partir do golpe de 1930 e a promulgação de uma nova Constituição para o Brasil, além de fotos e documentos, em especial dos combatentes pedreirenses Edu Rossi e Arnaldo Rossi, cedidos especialmente pela família para a exposição.
O confronto começou em 9 de julho e foi até 4 de outubro e atingiu todo o Estado de São Paulo, e Pedreira devido a sua localização na Serra da Mantiqueira, foi um dos últimos locais onde os soldados se estabeleceram e montaram as suas trincheiras. No complexo do Morro do Cristo, ainda existem algumas valas, que na época da revolução serviram de trincheiras e foram construídas pelos soldados, entre eles, Arnaldo Rossi, Edu Rossi e Guilherme Filipini Junior, sendo que no local há um monumento em homenagem aos combatentes de Pedreira.
A exposição poderá ser conferida de segunda à sexta, das 8h às 12h e das 13h às 17h e aos sábados e domingos, das 9h às 12h e das 13h às 17h, na Praça Cel. João Pedro, 102.
quinta-feira, 9 de julho de 2015
Bravos Paulistas - Voluntários de 1932
Bravos Paulistas - Voluntários de 1932
Antonio Spagiari
8-3-1907 a 6-6-1983
Soldado Voluntário na Revolução Constitucionalista de 1932
Soldados pedreirenses
1932 - 9 de julho - 2015: 83 anos da Revolução Constitucionalista de 1932
Soldados pedreirenses: Edu Rossi, Guilherme Filipini Junior e Arnaldo Rossi
Soldado Edu Rossi durante a inauguração do Monumento Constitucionalista em uma das trincheiras no Morro do Cristo em Pedreira-SP em 1997.
SALVE 9 DE JULHO! A MEMÓRIA DOS SOLDADOS CONSTITUCIONALISTAS DE 1932
quarta-feira, 1 de julho de 2015
Exposição "1932: São Paulo e a Revolução Paulista" homenageia os 83 anos da Revolução Constitucionalista
Em homenagem aos 83 anos da
Revolução Constitucionalista de 1932, o Museu Histórico e da Porcelana de
Pedreira realiza de 1 a 12 de julho, sob a curadoria de Adílson Spagiari,
Gestor, Curador e Supervisor Técnico, a Exposição “1392: São Paulo e a
Revolução Paulista”.
Na exposição os visitantes terão
a oportunidade de conferir diversas fotografias sobre o movimento que tinha a
proposta de derrubar o governo provisório imposto por Getúlio Vargas a partir
do golpe e 1930 e a promulgação de uma nova Constituição para o Brasil, além de
fotos e documentos, em especial dos combatentes pedreirenses Edu Rossi e
Arnaldo Rossi, cedidos especialmente pela família para a exposição.
O confronto começou em 9 de julho
e foi até 4 de outubro e atingiu todo o Estado de São Paulo, e Pedreira devido
a sua localização na Serra da Mantiqueira foi um dos últimos locais onde os
soldados se estabeleceram e montaram suas trincheiras, pois no Morro do Cristo,
ainda existem algumas valas que na época da revolução serviram de trincheiras e
foram construídas pelos soldados, entre eles, Arnaldo Rossi, Edu Rossi e
Guilherme Filipini Júnior, sendo que no local há um monumento em homenagem aos
combatentes de Pedreira.
A exposição poderá ser conferida
de segunda à sexta, das 8h às 12h e das 13h às 17h e aos sábados e domingos,
das 9h às 12h e das 13h às 17h na Praça Cel. João Pedro, 102, centro, com
entrada franca.
Desde 1997, Adílson Spagiari através das exposições temporárias realizadas no Museu de Pedreira rememora a guerra paulista de 1932 com a proposta de que as novas gerações conheçam sobre os acontecimentos que marcou o estado de São Paulo e para que os descendentes de voluntários, dos heróis soldados combatentes de 32 possam relembrar esses momentos vividos de julho a outubro daquele ano e que ficaram gravados em suas memórias e que essa história seja recuperada, preservada e conhecida pela população.
quinta-feira, 28 de agosto de 2014
A luta - VI
A recusa do governo paulista a essas condições, que considerou "de capitulação", seria criticada, tempos depois, pelo coronel Euclides Figueiredo, mesmo tendo sido ele o último comandante a aceitar a derrota: "Seria uma solução intermediária; meia vitória. Erro prosseguir na luta armada, quando por todos os lados o adversário dava mostras de sua superioridade numérica e de recursos crescentes, os quais não podíamos superar somente com a bravura de nossa gente, na esperança de que outros Estados viessem a acompanhar São Paulo".
Ainda havia empenho para que isso acontecesse, principalmente quanto ao Rio Grande do Sul. Desde os primeiros dias do movimento, ainda do Rio de Janeiro, e depois de São Paulo, João Neves da Fontoura cobrava de seus conterrâneos o compromisso assumido com São Paulo, reclamando apoio efetivo no campo da luta.
Não era fácil, porém, aos líderes da Frente Única, então com a polícia no seu encalço, levantar o Rio Grande contra a ditadura, como pretendiam. Borges de Medeiros, Lindolfo Collor, Batista Luzardo, Raul Pilla, Glicério Alves deixam a capital e, em fins de agosto, acompanhados de uns escassos combatentes, vão tentar estabelecer um governo provisório em Santa Maria. Mas são interceptados por tropas leais à ditadura, e os que conseguem escapar se refugiarão em estâncias do Interior, na esperança de se reagruparem mais tarde.
Entre eles, o setuagenário Borges, preso afinal em 20 de setembro, após um tiroteio que durou três horas. O lendário caudilho não conseguira levantar a Brigada, que durante 30 anos se submetera ao seu exclusivo comando. E a ajuda do Sul nunca viria.
A essa altura, no entanto, o próprio comandante-chefe das forças constitucionalistas dava demonstrações - embora não públicas - de que já estava disposto a capitular. Em carta ao ministro da Marinha, almirante Protógenes Guimarães, Klinger pede-lhe que consulte o governo sobre as condições para um armistício. Diz que está disposto a isso porque, "afinal de contas, há união de pontos de vista a respeito do ponto essencial - a pronta constitucionalização do país". (Correspondência idêntica foi por ele enviada ao general Menna Baarreto).
A carta de Protógenes tem data de 12 de setembro, e a resposta, de três dias depois. As condições impostas pela ditadura já são outras: há novo item, prevendo punições para os responsáveis pela rebelião; e não se fala mais em constituição provisória.
Já não há, como se verifica, "união de pontos de vista a respeito do essencial", mas nem por isso Klinger se sente desestimulado a prosseguir as negociações para o cessar-fogo, usando os bons ofícios do general Menna Barreto.
No campo de batalha, as defesas de São Paulo em torno da Capital começam a esboroar-se, principalmente pelos lados de Minas Gerais, e as tropas federais aproximam-se dia a dia. No dia 27, o coronel Herculano de Carvalho, convencido de que não conseguiria manter a resistência no setor de Campinas, para onde fora designado dias antes, organiza uma reunião de oficiais das forças constitucionalistas. Vários comandantes de destacamentos manifestam-se, fazendo um balanço sombrio sobre a situação nas diversas frentes e recomendando providências para um cessar-fogo.
Fonte: Jornal O Estado de S. Paulo - Quinta-feira, 8/7/1982 - Jornal da Tarde, página 6
segunda-feira, 25 de agosto de 2014
Dia do Soldado - 25 de agosto
Dia do Soldado - 25 de agosto
Aos heróis soldados que combateram lutando e defendendo seus Estados com sua vida em defesa de sua Pátria nos campos de batalhas por um país melhor para se viver, nossas sinceras homenagens pelo Dia do Soldado.
Às famílias, seus descendentes e heróis que ainda vivem e são verdadeiras fontes de pesquisa, sabedoria e conhecimento de um movimento revolucionário que buscou lutar por uma nova Constituição que se viu promulgada em 16 de julho de 1934.
À memória de todos os soldados que tombaram em defesa de nosso Brasil.
Memorial 9 de Julho - Pedreira - SP
quinta-feira, 21 de agosto de 2014
A luta - V
O fim da luta, nessas condições, era apenas questão de tempo. Se ela ainda se deveu a dois fatores básicos: o esforço dos combatentes e a incrível mobilização da população paulista em torno de uma causa que se converteu em absoluta unanimidade.
Enquanto os soldados e voluntários resistiam nas trincheiras, a população civil atirava-se apaixonadamente à tarefa de suprir, tanto possível, as deficiências que surgiam. As mulheres costuravam uniformes e agasalhos, preparavam refeições de campanha, arrecadavam cigarros e utilidades para os combatentes. A indústria procurou adaptar-se, do dia para a noite, para a produção de capacetes, armas, bombas, munição para fuzis, vagões blindados, enfim, tudo que pudesse compensar a crescente disparidade de material bélico entre os dois lados em combate.
Meio século atrás, porém, faltava à indústria paulista maior desenvolvimento tecnológico para essa súbita transformação: o equipamento produzido nem sempre era perfeito e, fabricado em condições improvisadas, às vezes não funcionava. Por exemplo, durante os testes dos primeiros morteiros feitos em São Paulo, a explosão extemporânea de um deles causou a morte do comandante da Força Pública, coronel Marcondes Salgado, atingido por um estilhaço (o general Klinger ficou ferido no braço e precisou ser hospitalizado por alguns dias).
Foi nessa ocasião que, chamado do Túnel da Mantiqueira, o coronel Herculano de Carvalho assumiu o comando da milícia. É dele, aliás, um relato que dá uma ideia do problema que se tornara a falta de munição:
"Numa análise deste fator preponderante do nosso desastre militar, não me furto a narrar um fato que se verificava no setor Norte (...) Por falta de munição, que insignificante era a quantidade produzida por nossas fábricas, imaginaram os soldados constitucionalistas algo que a substituísse, ainda na aparência: mandaram construir, nas oficinas da Rede-Sul Mineira, em Cruzeiro, uma espécie de matraca. Sacudida com pulso vigoroso, dava a impressão de tiros de fuzis e metralhadoras. O mesmo efeito obtinham de motocicletas postas em funcionamento (...)"
(O relato do coronel Herculano consta de um documento que publicou, após a Revolução, para defender-se das críticas à sua decisão de aceitar um armistício em separado com as tropas da ditadura).
Houve grande esforço, também, para a compra de armas e munições do Exterior, por conta de créditos sobre carregamentos de café embarcado pelos porto de Santos nos dias anteriores à Revolução. Excluídos alguns aviões, porém, o material bélico que veio de fora foi quase insignificante, por razões que iam da demora na entrega das encomendas ao boicote de governos estrangeiros (um navio carregado de fuzis e metralhadoras, o Ruth, foi retido em Miami pelas autoridades norte-americanas, e só chegou a Santos quando os combatentes já tinham terminado.
Com todas essas dificuldades, decorridos um mês de luta, São Paulo ainda preferia rejeitar uma proposta de ditadura, trazida em missão secreta pelo ex-ministro Maurício Cardoso, nas seguintes bases: 1) desarmamento das forças constitucionalistas; 2) formação de novo governo civil e paulista no Estado, excluídos os elementos considerados responsáveis pela rebelião; 3) adoção de uma constituição provisória, que vigoraria até a deliberação da Constituinte.
Fonte: Jornal O Estado de S. Paulo, 8/7/1982 - Jornal da Tarde, página 6.
sexta-feira, 15 de agosto de 2014
A luta - IV
As unidades mandadas de início para a região de Itararé, supostamente para formar alas à passagem das tropas gaúchas, viram-se de repente na situação de ter de enfrentá-las, em condições de incomparável inferioridade numérica e de armamentos. E só depois de muito reforçadas é que puderam tentar deter o avanço adversário, comandado pelo general Valdomiro Lima. (A disparidade de forças, na Frente Sul, manteve-se ao longo de toda a campanha, mas ainda assim as tropas enviadas por Flores da Cunha nunca conseguiram avançar mais do que 20 quilômetros em território paulista.)
Na Frente Norte, já no dia 10 de julho, tropas da Força Pública eram destacadas para ocupar a região do Túnel da Mantiqueira, a 9 quilômetros de Passa Quatro, passagem obrigatória na rota ferroviária de Minas Gerais para São Paulo. Cinco dias depois, começava a sangrenta luta pelo controle daquele que era considerado um dos pontos mais estratégicos da campanha: se os constitucionalistas o perdessem, estaria aberto o caminho para as tropas federais vindas de Minas e do Norte - Nordeste, através do território mineiro.
As primeiras operações no Túnel foram comandadas pelo coronel Herculano de Carvalho, que mais tarde assumiria o comando geral da Força Pública e seria duramente criticado, em alguns setores revolucionários, por ter concordado com a rendição da milícia, nos últimos dias da Revolução.
Do lado dos federais, um dos comandantes era o coronel Eurico Gaspar Dutra (então à frente de uma unidade do Exército em Três Corações), que se esquivara de um insistente assédio para aderir à causa constitucionalista. E outro futuro presidente prestava serviços ali: o jovem capitão Juscelino Kubitschek, médico da milícia mineira, que lá organizou um hospital de campanha, tão numerosas eram as baixas de ambos os lados.
A resistência paulista no túnel também se manteve até o fim. Se vencida, teria ficado irremediavelmente vulnerável a retaguarda das forças do coronel Euclides Figueiredo no Vale do Paraíba, já assediadas, frontalmente, por contingentes vindos do Distrito Federal, e pelo flanco (as tropas desembarcadas pela Marinha na região de Parati e Cunha).
Aos poucos a ditadura organizava suas forças, fazendo convergir contra São Paulo tropas das várias milícias estaduais, postas à disposição do governo pelos respectivos interventores.
Todo esse exército - heterogêneo, mas numeroso - passou a fustigar o Estado por pelo menos nove pontos diferentes. Ao norte, além do Túnel (e do Vale do Paraíba) havia as frentes de Itajubá, de Ouro Fino e Pouso Alegre e de Uberaba; ao sul e a oeste, além de Itararé, as frentes de Ribeira e Apiaí e a de Jacarezinho, no Paraná.
Para enfrentar esse contingente, São Paulo contava com 10 ou 12 mil soldados da Força Pública, 8 a 10 mil homens de guarnição federal (os números variam um pouco conforme as fontes) e um voluntariado estimado em 50 mil ora em 100 mil ou mais. O fato é que, pela quantidade de fuzis disponíveis, o número máximo de combatentes paulistas dificilmente poderá ter passado de 35 mil, ao todo.
Fonte: Jornal O Estado de S. Paulo, 8/7/1982 - Jornal da Tarde, páginas 5 e 6.
sexta-feira, 8 de agosto de 2014
A luta - III
Destituído de seu comando, porém, Klinger não conseguiu reunir mais que seus ajudantes de ordem e uns escassos soldados, que com ele chegaram a São Paulo no dia 12. "Em vez de termos desse aliado a cooperação com que contávamos, tivemos de mandar forças para abafar, lá, a contra-revolução", comentaria tempos depois o general Euclides Figueiredo. Mas consolava-se: "É verdade que não tivemos tropas desse Estado lutando contra nós".
No Rio, com a precipitação do levante, as forças leais ao Governo Provisório puderam antecipar-se e neutralizar facilmente as eventuais tentativas de adesão ao movimento. O apoio de contingentes do Paraná e de Santa Catarina pouco influiria no destino da luta, mas, de qualquer modo, era em alta escala dependente da posição gaúcha.
Quanto a Minas Gerais, havia quem (como o Coronel Euclides) atribuísse ao velho governador Olegário Maciel certa simpatia pela causa paulista. Ocorre, porém, que os principais constitucionalistas mineiros - Artur Bernardes, Mário Brant, Djalma Pinheiro Chagas - faziam oposição ao seu governo e, depois de alguma hesitação, Maciel acabou ficando com a Ditadura. Já no dia 10 a Força Pública mineira desloca-se para o Túnel da Mantiqueira, na região da divisa entre os dois Estados, onde seriam travados alguns dos mais encarniçados combates de toda a campanha.
Para completar o quadro, a Marinha de Guerra bloqueou o porto de Santos, impossibilitando, desde logo, o desembarque de armas e munições, de cuja falta as forças paulistas iriam ressentir-se dramaticamente ao fim de alguns dias de luta. (A Marinha facilitaria, posteriormente, o desembarque de tropas da Ditadura no Litoral Norte e na região de Parati. Essas tropas bloquearam a coluna paulista que se preparava para avançar para o Rio, a partir da ocupação de Barra do Piraí).
Mas os chefes revolucionários ainda não avaliaram até que ponto estavam isolados e continuavam contando com os supostos aliados. Por designação do general Isidoro, o coronel Euclides assumira o comando do movimento, enquanto não chegasse o general Klinger. No dia 12, finalmente, ele desembarca na Estação da Luz, e Menotti del Picchia assim descreve a cena:
"Na estação, o doutor Ibrahim Nobre, que se tornara o tribuno popular da Revolução, pronunciou um discurso cuja forma alegórica e rebuscada, muito ao gosto do povo e ao sabor do momento, denuncia o estado de exaltação coletiva. O general Klinger respondeu com a famosa frase: "Desembainho a espada em continência à lei", marcando, assim, o sentido nacional e constitucionalista do movimento".
"O trajeto da estação ao Quartel-general foi uma apoteose. A multidão acompanhou delirante o novo paladino da causa que São Paulo abraçara. Para dar marcialidade ao espetáculo, o general Klinger desceu do auto oficial, onde vinha rodeado por vários membros do governo, e montou num cavalo cedido por um dos cavalarianos de sua guarda (...)"
Apesar do aspecto triunfal da recepção, porém, o movimento estava apenas começando. E perdendo momentos irrecuperáveis, segundo a opinião de muitos de seus militares, pois, em três dias, não avançara um passo além da Capital.
Nesse mesmo dia, Euclides Figueiredo passa o comando geral a Klinger e vai comandar o avanço rumo ao Vale do Paraíba, em direção ao Rio. Mas detém-se nos limites do Estado, instalando seu quartel-general em Cruzeiro.
Se tivesse prosseguido rumo ao Rio, segundo o insuspeito depoimento de Benjamim Vargas ao historiador Hélio Silva, "seria recebido com flores, porque as guarnições militares e a própria população eram simpáticas à causa constitucionalista". José Américo de Almeida, à época ministro da Viação de Getúlio, entendia que, se Figueiredo tivesse prosseguido, acabaria dominando a situação, pois iria encontrar Góis Monteiro confuso e indeciso. Ou ansioso para aderir, na opinião de Hélio Silva, que em suas pesquisas identificou indícios claros de que o general não se recusaria a aceitar o comando do levante, se lhe fosse oferecida a oportunidade, pois andava seduzido pela ideia de assumir o poder.
Também o general Brasílio Taborda, que comandou a Frente Sul das forças constitucionalistas, era de opinião, por razões táticas, de que uma ofensiva fulminante sobre o Rio teria decidido a sorte da luta em favor de São Paulo.
Para o próprio Euclides Figueiredo, no entanto, "atirar toda a tropa para diante, sem mais considerações de ordem militar, seria correr uma aventura, contando simplesmente com a surpresa". Àquela altura - explicava - tratava-se de estabelecer uma situação transitória de defesa, dando tempo para que chegassem as forças aliadas, quando então a revolução partiria em ofensiva.
Essas forças aliadas, já se viu, nuca chegaram. Ou melhor, chegaram contra - provocando total reversão de planejamento tático e do próprio destino da luta. Em lugar de um avanço para o Distrito Federal - que os mais otimistas anteviam como pouco mais difícil que uma parada militar -, as tropas paulistas tiveram de ser dispostas em posição defensiva, procurando bloquear os caminhos que levavam à Capital.
Fonte: Jornal O Estado de S. Paulo - Quinta-feira, 8/7/1982 - Jornal da Tarde, página 5.
No Rio, com a precipitação do levante, as forças leais ao Governo Provisório puderam antecipar-se e neutralizar facilmente as eventuais tentativas de adesão ao movimento. O apoio de contingentes do Paraná e de Santa Catarina pouco influiria no destino da luta, mas, de qualquer modo, era em alta escala dependente da posição gaúcha.
Quanto a Minas Gerais, havia quem (como o Coronel Euclides) atribuísse ao velho governador Olegário Maciel certa simpatia pela causa paulista. Ocorre, porém, que os principais constitucionalistas mineiros - Artur Bernardes, Mário Brant, Djalma Pinheiro Chagas - faziam oposição ao seu governo e, depois de alguma hesitação, Maciel acabou ficando com a Ditadura. Já no dia 10 a Força Pública mineira desloca-se para o Túnel da Mantiqueira, na região da divisa entre os dois Estados, onde seriam travados alguns dos mais encarniçados combates de toda a campanha.
Para completar o quadro, a Marinha de Guerra bloqueou o porto de Santos, impossibilitando, desde logo, o desembarque de armas e munições, de cuja falta as forças paulistas iriam ressentir-se dramaticamente ao fim de alguns dias de luta. (A Marinha facilitaria, posteriormente, o desembarque de tropas da Ditadura no Litoral Norte e na região de Parati. Essas tropas bloquearam a coluna paulista que se preparava para avançar para o Rio, a partir da ocupação de Barra do Piraí).
Mas os chefes revolucionários ainda não avaliaram até que ponto estavam isolados e continuavam contando com os supostos aliados. Por designação do general Isidoro, o coronel Euclides assumira o comando do movimento, enquanto não chegasse o general Klinger. No dia 12, finalmente, ele desembarca na Estação da Luz, e Menotti del Picchia assim descreve a cena:
"Na estação, o doutor Ibrahim Nobre, que se tornara o tribuno popular da Revolução, pronunciou um discurso cuja forma alegórica e rebuscada, muito ao gosto do povo e ao sabor do momento, denuncia o estado de exaltação coletiva. O general Klinger respondeu com a famosa frase: "Desembainho a espada em continência à lei", marcando, assim, o sentido nacional e constitucionalista do movimento".
"O trajeto da estação ao Quartel-general foi uma apoteose. A multidão acompanhou delirante o novo paladino da causa que São Paulo abraçara. Para dar marcialidade ao espetáculo, o general Klinger desceu do auto oficial, onde vinha rodeado por vários membros do governo, e montou num cavalo cedido por um dos cavalarianos de sua guarda (...)"
Apesar do aspecto triunfal da recepção, porém, o movimento estava apenas começando. E perdendo momentos irrecuperáveis, segundo a opinião de muitos de seus militares, pois, em três dias, não avançara um passo além da Capital.
Nesse mesmo dia, Euclides Figueiredo passa o comando geral a Klinger e vai comandar o avanço rumo ao Vale do Paraíba, em direção ao Rio. Mas detém-se nos limites do Estado, instalando seu quartel-general em Cruzeiro.
Se tivesse prosseguido rumo ao Rio, segundo o insuspeito depoimento de Benjamim Vargas ao historiador Hélio Silva, "seria recebido com flores, porque as guarnições militares e a própria população eram simpáticas à causa constitucionalista". José Américo de Almeida, à época ministro da Viação de Getúlio, entendia que, se Figueiredo tivesse prosseguido, acabaria dominando a situação, pois iria encontrar Góis Monteiro confuso e indeciso. Ou ansioso para aderir, na opinião de Hélio Silva, que em suas pesquisas identificou indícios claros de que o general não se recusaria a aceitar o comando do levante, se lhe fosse oferecida a oportunidade, pois andava seduzido pela ideia de assumir o poder.
Também o general Brasílio Taborda, que comandou a Frente Sul das forças constitucionalistas, era de opinião, por razões táticas, de que uma ofensiva fulminante sobre o Rio teria decidido a sorte da luta em favor de São Paulo.
Para o próprio Euclides Figueiredo, no entanto, "atirar toda a tropa para diante, sem mais considerações de ordem militar, seria correr uma aventura, contando simplesmente com a surpresa". Àquela altura - explicava - tratava-se de estabelecer uma situação transitória de defesa, dando tempo para que chegassem as forças aliadas, quando então a revolução partiria em ofensiva.
Essas forças aliadas, já se viu, nuca chegaram. Ou melhor, chegaram contra - provocando total reversão de planejamento tático e do próprio destino da luta. Em lugar de um avanço para o Distrito Federal - que os mais otimistas anteviam como pouco mais difícil que uma parada militar -, as tropas paulistas tiveram de ser dispostas em posição defensiva, procurando bloquear os caminhos que levavam à Capital.
Fonte: Jornal O Estado de S. Paulo - Quinta-feira, 8/7/1982 - Jornal da Tarde, página 5.
quinta-feira, 31 de julho de 2014
A luta - II
Os bares e cafés ainda fervilhavam, mas poucos notaram quando, por volta das 22 horas, começaram os primeiros movimentos de tropas. O que chamou atenção foi que, pouco depois, os alunos da Faculdade de Direito, no Largo São Francisco, começaram a circular com fuzis a tiracolo. Pela meia-noite, tropas da Força Pública ocupavam os Correios e, em seguida, a Telefônica. Foram os primeiros atos revolucionários ostensivos.
Mesmo os que tivessem lido atentamente os jornais daquele dia não encontrariam indícios de que a Revolução fosse tão iminente. O Estado de S. Paulo, por exemplo, dava este título ao seu principal noticiário político: "Um dia sem notícias". Informava: "Rio, 8. Mais árido ainda do que ontem se apresenta hoje o terreno onde o noticiarista tenta em vão obter umas respingas de informações políticas para oferecê-las à natural e ansiosa curiosidade do público. Hoje foi positivamente um dia sem notícias". O redator admitia, porém, que "proliferavam os boatos, pelos corredores do Ministério, pelas redações dos jornais, pelos cafés, pelos quartéis..."
O editorial abordava um tema econômico, chamando a atenção dos poderes competentes para o esvaziamento da importância do porto de Santos, e o noticiário local informava sobre uma reunião do secretariado de Pedro de Toledo e sua decisão de mandar cumprimentos ao ditador pela designação do general José Luís Pereira de Vasconcelos para o comando da 2ª Região Militar. Outra notícia local: o anúncio da inauguração do serviço de ônibus, de meia em meia hora, para o "vizinho município" de Santo Amaro.
No dia seguinte, sim: em manchete, O Estado (jornal) anunciava a revolução, informando, nas páginas internas, que "Está vitorioso, em todo o Estado, o movimento revolucionário de caráter constitucionalista". E nos subtítulos: "Pela manhã, já havia aderido todas as guarnições federais, inclusive Quitaúna - Rio Grande do Sul, Minas Gerais e Santa Catarina integrados no movimento - As forças de Mato Grosso marcham para Bauru - O general Klinger chegará hoje de avião - A aclamação do dr. Pedro de Toledo presidente do Estado - Forte concentração de forças paulista em Cruzeiro".
Depois de recapitular as origens e os objetivos do movimento - "repor o Brasil, rapidamente, sob o domínio da lei" - e de traçar um breve perfil de seus principais comandantes militares (o general Isidoro Dias Lopes e o coronel Euclides Figueiredo), o jornal faz um balanço das adesões:
"(...) No Rio Grande do Sul e em São Paulo, a totalidade das guarnições federais, das polícias estaduais e do elemento civil. Em Mato Grosso, toda a tropa federal, parte da polícia e contingentes civis. No Rio, Paraná e Santa Catarina, apoiam o movimento importantes contingentes. A situação em Minas Gerais pode ser resumida no apoio de diversas guarnições e na solidariedade de todos os elementos do Partido Social Nacionalista. O presidente Olegário Maciel manifestava-se francamente partidário de uma solução amistosa, mas assegurou aos chefes constitucionalistas que em nenhuma hipótese os soldados mineiros atirariam sobre as forças paulistas."
Era isso, de fato, o que esperavam os líderes do movimento, mas nada de parecido aconteceu.
No Rio Grande do Sul, a reviravolta do interventor Flores da Cunha transformou em inimigos os contingentes que os paulistas consideravam como aliados. E a solidariedade gaúcha limitou-se, a partir de então, aos esforços que, sem tropas e sem armas, os líderes da Frente Única passaram a empreender, na tentativa de manter a palavra empenhada com São Paulo.
De Mato Grosso, contavam os paulistas com a ajuda de pelo menos 6 mil soldados, número assegurado pelo general Klinger nos encontros preparatórios do movimento.
Fonte: Jornal O Estado de S. Paulo, quinta-feira, 8/7/1982 - Jornal da Tarde - página 5.
sexta-feira, 25 de julho de 2014
A luta - I
"9 de julho de 1932. Dr. Francisco Campos, ministro da Justiça. Ciente da destituição do general Klinger do comando da Circunscrição de Mato Grosso, rogo a V. Excia. se digne comunicar ao eminente chefe do Governo Provisório que tomarei todas as medidas ao meu alcance para a manutenção da ordem (...) Cordiais saudações, (a) Pedro de Toledo".
"10 de julho de 1932. Dr. Getúlio Vargas, chefe do Governo Provisório. Esgotados todos os meios que ao meu alcance estiveram para evitar o movimento que acaba de verificar-se na guarnição desta Região, ao qual aderiu o povo paulista, não me foi possível caminhar ao revés dos sentimentos do meu Estado. Impossibilitado de continuar a cumprir o mandato que V. Excia. houve por bem confiar-me (...) venho renunciar ao cargo de interventor (...) (a) Pedro de Toledo".
Mais do que uma perfídia, presumível à primeira vista, a brusca mudança de posições manifestada pelo interventor Pedro de Toledo, nos telegramas que mandou ao Governo Provisório, indica que foi ele um dos últimos a saber de uma revolução em São Paulo, naquele dia 9.
E sua adesão nem foi tão rápida como pode parecer. Toledo voltava ao Palácio, vindo da Estação do Norte, onde fora despachar um emissário de Getúlio (o ministro Salgado Filho, a quem acabara de reafirmar sua lealdade à Ditadura). Estranhou ao encontrar as luzes acesas e todo o seu secretariado reunido.
Só então ficou sabendo que a revolução estava nas ruas, e pensou até em resistir, fiel às promessas que fizera de manter a ordem no Estado. Foi somente horas depois que, ante os enfáticos apelos de todos os seus auxiliares, acabou concordando em demitir-se da interventoria, para ser aclamado governador de São Paulo.
Também a população demorou a notar que havia um levante.
Era uma noite de sábado, e as ruas do centro estavam animadas, com aquele aspecto cosmopolita que tanto agradava aos paulistas, orgulhosos de sua metrópole de 1 milhão de habitantes. Nos cinemas lotados, alguns assustavam-se com O Vampiro de Dusseldorf, que estreava no Odeon, enquanto outros comoviam-se com Marlene Dietrich em O Expresso de Shangai, no Paramount. O Teatro Bela Vista apresentava uma companhia portuguesa, e prometia para breve a volta de Procópio Ferreira, com suas piadas sobre Getúlio que o público paulista considerava "impagáveis".
Fonte: Jornal O Estado de S. Paulo, Quinta-feira, 8/7/1982 - Jornal da Tarde, página 5.
quinta-feira, 17 de julho de 2014
Personagens de 1932 - Coronel Euclides Figueiredo
Coronel Euclides Figueiredo
O coronel Euclides Figueiredo, pai do atual presidente, sempre viu com desconfiança a interferência de militares na política. Ele achava que, mesmo pretensamente transitória, a passagem de militares pelo poder sofria uma incontrolável tendência a prolongar-se indefinidamente.
Essa foi uma das razões que o levou a colocar-se contra a Revolução de 1930 - apoiada pelo tenentismo -, da mesma forma que fora contrário aos movimentos revolucionários de 1922 e 1924, que considerava de raízes essencialmente militares.
Preso em outubro de 1930, quando servia em Alegrete, Rio Grande do Sul, e libertado meses depois, quando a Revolução se sentia consolidada, Figueiredo procurou o ministro da Guerra, general Leite de Castro, pedindo-lhe que o reformasse, pois não estava disposto a servir ao Governo Provisório, ao qual atribuía propósitos de tornar-se definitivo.
Mesmo informado da posição de Figueiredo, o ministro negou-lhe a reforma, afirmando que o Exército não poderia prescindir de um oficial de seu valor.
Morava no Rio de Janeiro quando foi posto em contato com os líderes constitucionalistas, por meio de seu irmão Leopoldo, empresário em São Paulo e membro do Partido Democrático. Engajou-se de corpo e alma no movimento, para o qual procurou adesões nos meios militares do Distrito Federal.
No dia 9 de julho, surpreendido pela precipitação do levante, viajou às pressas para São Paulo, assumindo o comando militar até a chegada do general Klinger do Mato Grosso. Então, foi comandar as forças constitucionalistas no Vale do Paraíba, que resistiram, até os dias finais da luta, às tropas do Governo Provisório, reconhecidamente superiores em número e armamento.
O coronel Figueiredo foi, literalmente, o último a se entregar. A Revolução estava batida havia mais de dez dias quando o capturaram, na ilha de Santa Catarina, a bordo de um barco de pesca com o qual tencionava chegar ao Rio Grande, onde acreditava ainda haver luta contra a Ditadura.
Fonte: Jornal O Estado de S. Paulo, Quinta-feira, 8/7/1932 - Jornal da Tarde, página 7.
quarta-feira, 9 de julho de 2014
Personagens de 1932 - Francisco de Mesquita
Francisco de Mesquita
Em 1926, um grupo de oposicionistas de São Paulo reúne-se no salão das Classes Laboriosas para lançar as bases de um novo partido. E, à medida que os oradores se sucedem, mais distante parece tornar-se a unidade de pensamento.
É quando, na plateia, um moço pede a palavra e inicia um discurso de improviso. O novo partido, afirma, não pode ser apenas um PRP honesto, não pode correr o risco de ser outro órgão a serviço das oligarquias; é preciso que seja um instrumento de construção da democracia, por meio do voto secreto e da Justiça Eleitoral. A argumentação, clara e objetiva, estende-se por mais de uma hora, e ao final o Partido Democrático tinha praticamente definido seu programa de ação.
O orador era Francisco Mesquita, que, encerrado o discurso, reassume a atitude discreta que lhe era característica.
Adepto fervoroso da Revolução de 1930, foi, talvez por isso mesmo, um dos primeiros a identificar o que considerava os desvios de seus objetivos. Membro do primeiro secretariado paulista constituído após a vitória revolucionária, não permaneceu no cargo mais do que alguns dias (logo o governo nomearia interventor o tenente João Alberto).
O nome de Francisco Mesquita figura entre os signatários do documento que formalizou a aliança dos partidos paulistas (a Frente Única) e, pouco mais tarde, entre os fundadores do MMDC.
Iniciada a Revolução Constitucionalista, Francisco Mesquita prefere abdicar de sua posição de liderança, para lutar como simples soldado. Depois de submeter-se a uma rápida instrução militar no quartel de Quitaúna, incorpora-se ao 6º Regimento de Infantaria e segue para a frente de combate.
Transferido, dias mais tarde, para o Batalhão Piratininga (formado por voluntários), o combatente Chiquinho, como era chamado entre os colegas, é designado para as trincheiras de Vila Queimada, no Vale do Paraíba, uma das áreas mais fustigadas pela artilharia inimiga; lá, a 19 de agosto, acaba capturado em combate, num choque com o destacamento do então capitão Sizeno Sarmento. É mandado, então, para a Ilha Grande, onde ficaria preso até seguir para o exílio.
Fonte: Jornal O Estado de S. Paulo, Quinta-feira, 8/7/1932 - Jornal da Tarde, página 7.
sexta-feira, 4 de julho de 2014
Personagens de 1932 - Borges de Medeiros
Borges de Medeiros
Depois de governar o Rio Grande durante 25 anos ininterruptos, Borges de Medeiros, austero, solene e pobre, constituía-se num oráculo para os homens públicos de sua terra, até mesmo para os que não pertenciam ao seu partido, o Republicano.
Foi nessa condição que dera seu apoio aos constitucionalistas gaúchos, convencido de que Vargas já não tinha intenção alguma de cumprir os compromissos assumidos durante a Revolução, principalmente quanto à realização de eleições a curto prazo.
Irrompido o levante em São Paulo e conhecida a reviravolta do interventor Flores da Cunha, o velho caudilho teve, de início, um momento de hesitação. Tinha de optar entre dois valores que prezava sobre todos os demais: a ordem, que estava na base de sua formação positivista, e a honra, que o compelia a romper com a ordem para não faltar ao compromisso com os paulistas.
E foi para honrar a palavra empenhada que, afinal, saiu de Porto Alegre disfarçado, em companhia de Batista Luzardo, atravessando o Guaíba de barco, no meio da noite, e cavalgando horas seguidas rumo a Santa Maria. Lá, com o apoio de uns poucos combatentes e outros membros da Frente Única, pretendiam instalar um governo provisório em oposição a Flores e a Vargas. Mas foram interceptados, a caminho, por tropas leais à ditadura, e, dispersados, tiveram de refugiar-se em estâncias da região.
A perseguição continuou, visando, sobretudo, à captura de Borges, que se acabou entregando, após o tiroteio de três horas seguidas e depois de disparar o último cartucho que lhe restava.
Borges tinha, então, quase 70 anos. Getúlio quis bani-lo, e o próprio Flores insurgiu-se contra isso: "Não podemos esquecer que o Dr. Borges de Medeiros é um homem pobre. Não tem absolutamente recursos para viver no estrangeiro. Toda sua vida (...) protesta contra a ideia de pretender fazê-lo, na velhice, sustentar-se da caridade de amigos, longe da família e da Pátria".
Getúlio contentou-se, então, com o banimento interno, e o mandou para Recife.
Fonte: Jornal O Estado de S. Paulo - Quinta-feira, 8/7/1932 - Jornal da Tarde, página 7.
sexta-feira, 27 de junho de 2014
Personagens de 1932 - Flores da Cunha
Flores da Cunha
"Às vezes, tinha vontade de atar a corda ao pescoço e vir entregar-me aos paulistas, para dizer-lhes que eles é que tinham razão". Essa retratação pública foi feita perante um admirado plenário, na Assembleia Constituinte de 1946, pelo general Flores da Cunha, interventor no Rio Grande do Sul em 1932 e um dos principais responsáveis pela derrota da Revolução Constitucionalista. Aliás, como ele mesmo reconhecia, em seu inesperado depoimento:
"(...) concorri, decisivamente, para que o grande movimento paulista fosse jugulado. Mandei ao Sr. Getúlio Vargas mais de 30 corpos que organizei para a defesa de seu governo e daquilo que ele chamava de ordem".
O estranho é que Flores da Cunha, embora colocado no governo gaúcho pelo próprio Getúlio, conspirava contra a Ditadura com os políticos da Frente Única, autorizando-os a transmitir aos paulistas o apoio do Rio Grande do Sul. A partir de determinado momento, porém, atormentado por dúvidas que nunca exteriorizou aos demais conspiradores, passou a manter o Governo Provisório informado de tudo que se passava.
Na fase de conspiração, chegou a consultar o pai dos tenentes Orlando e Henrique Geisel, da guarnição de Cachoeira, quanto à possível adesão de seus filhos a um movimento contra a Ditadura (o senhor Augusto Geisel respondeu-lhe que nunca trataria tal assunto com os filhos). Na mesma fase, Flores forneceu fuzis e munição para a preparação do levante no interior do Estado; depois, ao mudar de planos, mandou recolher as armas e prender as pessoas a quem as confiara.
Dúbio até as vésperas da Revolução, a ponto de desconcertar os constitucionalistas gaúchos que contavam com ele, acabou ordenando que marchassem contra os paulistas as tropas que prometera enviar para ajudá-los.
"Espero em Deus ainda hei de voltar a São Paulo, para visitar aquelas salas quadrangulares do velho Convento de São Francisco e dobrar os joelhos para penitenciar-me", diria ainda Flores em seu ato de contrição na Constituinte, 14 anos mais tarde.
Fonte: Jornal O Estado de S. Paulo, Quinta-feira, 8/7/1932 - Jornal da Tarde, página 7.
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